3. Síntese de Aprendizagens
Neste capítulo, como estipulado, o objetivo é desenvolver uma síntese crítica e reflexiva das minhas aprendizagens ao longo destes quatro anos, desde o momento da minha admissão na ESEnfC até ao presente. Para o desenvolvimento deste capítulo ser possível, foi necessário enumerar as competências que tive oportunidade de desenvolver e aprimorar ao longo do meu percurso académico até aos dias de hoje. Posto isto, consegui focar-me na reflexão das principais competências, através do Referencial de Competências do aluno licenciado pela ESEnfC, que resultou no Plano de Estudos do CLE, referencial este que contempla as competências e domínios referenciados no Regulamento nº 190/2015, de 23 de abril que define o Perfil de Competências do Enfermeiro de Cuidados Gerais. Após a pesquisa efetuada, foi possível definir seis competências, tais como: conceber e gerir projetos de cuidados de enfermagem; implementar cuidados de enfermagem autónomos/ independentes; estabelecer uma relação profissional; gerir recursos operacionais; comprometer-se com o desenvolvimento profissional; gerir conhecimento. Para desenvolver estas competências tive diversas oportunidades de aprendizagem, tanto em contexto escolar como em contexto clínico. Em contexto escolar, foi-me facultada esta oportunidade através das unidades curriculares lecionadas ao longo destes quatros anos nas aulas teóricas, teórico práticas e práticas laboratoriais. Por outro lado, também tive oportunidade de dar continuidade às minhas aprendizagens no decorrer de diversos ensinos clínicos. No primeiro ano do CLE, no EC Determinantes Sociais de Saúde fiquei colocado na área Geo – Administrativa de S. Martinho do Bispo e no segundo ano, fiquei colocado numa Unidade de Convalescença, no Hospital Nossa Senhora da Assunção. No terceiro ano, os ensinos clínicos subdividem-se em dois grupos, o EC Cuidados de Saúde Primários e o EC Cuidados Hospitalares. No EC de Saúde Primários tive oportunidades de aprendizagem na Maternidade Dr. Daniel de Matos, no Serviço de Puerpério A + Cirurgia Obstétrica, na Unidade de Cuidados na Comunidade de Mira e por fim, na Unidade de Saúde e Familiar de Condeixa. Enquanto, no EC Cuidados Hospitalares tive oportunidades de aprendizagem no Hospital Sobral Cid, no serviço de Psiquiatria Forense Feminina, no Hospital Pediátrico de Coimbra, no serviço Centro de Desenvolvimento e por último, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, no serviço de Oftalmologia. Para adquirir a competência "conceber e gerir projetos de cuidados de enfermagem", é necessário colher e analisar dados clínicos, estabelecer diagnósticos e prescrever intervenções de enfermagem, planear os cuidados centrados à pessoa, avaliar os resultados obtidos e por fim, mas não menos importante, gerir as emoções. Considero que, o EC onde tive oportunidade de adquirir esta competência foi no EC do segundo ano, pois, foi a primeira vez que tive contacto com utentes em ambiente hospitalar, o que me causou algumas questões emocionais, sendo necessário gerir as minhas emoções de modo a proporcionar de maneira eficaz os cuidados centrados à pessoa e fazer um correto plano de cuidados, nos quais defini diagnósticos e implementei intervenções de enfermagem. Relativamente à competência "implementar cuidados de enfermagem autónomos/ independentes", sinto que tive oportunidade de obter a mesma, ao longo da realização dos diversos ensino clínicos, pois, esta competência baseia-se na realização de ações de promoção da saúde, na realização de ações de enfermagem resultantes da iniciativa ou prescrição de outros profissionais da equipa, assistir a pessoa na realização das atividades de autocuidado e por fim, assistir os familiares e os cuidadores informais no papel de prestador de cuidados. Os ensinos clínicos mencionados, têm estas intervenções em comum, uma vez que abordarmos a parte de reabilitação da pessoa e a promoção da literacia, de modo a empoderar a mesma e a diminuir a sobrecarga do cuidador. Por exemplo, na Unidade de Convalescença eram realizadas diversas sessões de educação em saúde direcionadas às atividades de vida diárias e em Mira eram realizadas intervenções de reabilitação e sessões de educação em saúde com o objetivo referido. Relativamente à competência "estabelecer uma relação profissional", sinto que, desde que entrei na ESEnfC tenho oportunidade de aprimorar a mesma, pois, é necessário desenvolver uma relação de confiança para com os diversos professores, tanto os professores que lecionam as unidades curriculares como os professores que orientam os ensinos clínicos, tendo ainda, a mesma oportunidade com os enfermeiros tutores e as diversas equipas multidisciplinares e multiprofissionais com as quais me deparei ao longo do CLE, o que promoveu a minha noção de trabalho em equipa e comunicação. Contudo, considero que também tive oportunidade de estabelecer uma comunicação terapêutica com os utentes que interagi ao longo destes quatro anos, conseguindo assim, capacitar os mesmos. Na competência "gerir recursos operacionais", esta abrange tantos os recursos humanos como os recursos materiais. Na realização dos diversos ensinos clínicos, tive oportunidade de mobilizar recursos, através da coordenação de atividades e cuidados de saúde, da delegação e do supervisionamento de tarefas, sempre de modo a responder às necessidades das pessoas, das famílias e das comunidades. Além disso, em prol de manter um ambiente de trabalho harmonioso e eficaz foi crucial desenvolver a gestão de conflitos relacionais, não só com os meus colegas, mas também com as equipas multiprofissionais com as quais tive contacto até aos dias de hoje.
Ao longo do meu percurso no CLE na ESEnfC, de modo a concluir não só as unidades curriculares e os ensinos clínicos, mas também a construir a minha identidade profissional, sempre senti a necessidade de utilizar tecnologias de informação e comunicação, gerir os dados e a informação adquirida, refletir criticamente a ação, selecionar evidências relevantes para a prática e produzir documentos de aprendizagem, assim, fui capaz de investir na minha autoformação e crescimento, tanto pessoal como profissional, sempre em prol de promover a qualidade dos cuidados centrados à pessoa. Com isto, sinto que adquiri as competências "comprometer-se com o desenvolvimento profissional" e "gerir conhecimento". Apesar de sentir que pude desenvolver e aperfeiçoar algumas competências mais especificamente em determinados ensinos clínicos, tenho noção, que as competências referenciadas neste capítulo, são visíveis em todos os momentos de aprendizagem do CLE, podendo assim, aprimorar todas em prol da minha construção de identidade profissional enquanto estudante de enfermagem e futuro enfermeiro. Concluindo, para o ECIO-II, espero conseguir aprimorar as competências mencionadas, inclusive, o trabalho em equipa, a comunicação terapêutica, a entreajuda e procedimentos técnicos, dos quais, já tive oportunidade de realizar. Porém, dado que, por motivos pessoais e familiares, tive sem exercer cuidados de enfermagem aproximadamente durante um ano, o que acabou por criar alguma insegurança enquanto estudante de enfermagem, tenho como principal objetivo desenvolver as competências essenciais que um enfermeiro de cuidados gerais deve dominar, para além da comunicação e a correta prática segundo o Código Deontológico do Enfermeiro, espero promover a minha perícia na realização de alguns procedimentos técnicos tais como, a flebotomia, o tratamento à ferida, a administração de fármacos, entre outros. Tenho como meta ainda, realizar procedimentos técnicos que, infelizmente, nunca tive oportunidade de colocar em prática, como por exemplo, a aspiração de secreções e a colocação de sonda nasogástrica. Por último, espero ainda, dominar de forma mais eficaz alguns conteúdos anteriormente lecionados, pois, uma vez que ingressei no CLE no decorrer de uma pandemia, sinto que, tenho alguma falta de bases devido à instabilidade que houvera no Ensino nesse espaço tempo.
